Levo-te no dorso das águas onde não há maré nem marinheiros.
Tudo será um acaso, uma esperança, um bafo de luz, uma aventura,
Levo-te, perdido de nortes e sentidos
Que eu nem sei se é noite, se dia, se lua cheia.
E que me importam os rumos, os gestos, os limites?
Levo-te numa loucura menina
À espera duma surpresa repentina
Que nos torne indistintos e tão presentes como ausentes.
Deixa-me invadir a floresta à procura do incerto momento de me perder
Quando o sol desaparecer.
Deixa-me embarcar na caravela antiga que simplesmente não tinha destinos
E só procurava a descoberta, os desatinos.
Eu nasci num raio de luar. Era Setembro. Um Setembro virgem e farto.
Faço da vida uma fartura, um acaso, um barco sem remos e sem mastro,
E nunca penso o que pensam; só penso o que sinto.
E penso com lágrimas e riso
Como menino com muita ternura e pouco siso.
Deixem-me ser louco para ter o tamanho da giesta que cresce
No espaço agreste
Sem querer bênçãos e favores
Deixem-me ouvir as músicas lavadas
Das levadas
Da minha infância perdida e nunca achada
Da minha infância, que até meus fins, será sempre desejada.
Eu sinto um vulcão a explodir
Sinto um terramoto que há-de vir
É que eu nasci sem mãe e nunca fui um feto
(Será por isso que sinto tanto um défice de afecto?)
Amanhã o sol nasce ainda que chova, ou vente, ou tudo seja azul e transparente.
O sol vai para além de tudo o que fica na condição do tempo
Eu sou o sol. O que se vê é a nuvem, o raio, a penumbra.
Eu estou além.
Na banda que fica onde não há ninguém
E onde sempre tenho um banquete para alguém.
terça-feira, 12 de maio de 2009
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