Nem imaginamos que as cores nos contam as pregas da história.
Sabemos que as cores pura e simplesmente designam.
E designam por que são designantes... como se fossem etiquetas.
Há encarnados, azuis, costa verde, costa de prata
Mas nunca as pessoas procuram entrar dentro das cores
para que o rosmaninho não seja somente um perfume teórico,
ou a madressilva uma referência rústica e severa.
Gostava de ser insecto, bicho de conta ou lagartixa para pressentir as cores duma forma tão simples quanto espontaneamente natural.
É que as cores saem da natureza. É assim que me parece. Cor de mel, cor de vinho, cor de terra, cor de céu, cor de sangue. E quem diz que a água não tem cor é porque nunca viu água em quantidade bastante para lhe a profunda cor.
Repudio a cor como nomenclatura...
Aliás, sempre as nomenclaturas são um autoritarismo de associações.
São desatinos prefigurados pelos dogmas que escorrem do Tibete pelo Nepal
E vêm pela rota da seda até Jerusalém e até Meca para se diluirem de amarelo na santa vaticana romana.
Estamos longe de entender que o tempo do homem colector não era verde, Era da cor de árvores e de frutos...
A idade da pedra deve ter sido cinzenta
Da idade do ferro para cá o que domina é a cor da ferrugem.
Também não suporto a cor de areia. Que além de ser a cor do deserto entra pelos interstícios que vão dos sovacos ao umbigo e aos orquídios descansos.
terça-feira, 12 de maio de 2009
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