terça-feira, 12 de maio de 2009

ALCINO AMIGO

ALCINO AMIGO,

Essa não! Essa da reforma è para enganar meninos e a mim não me engrolas tu. A reforma é quando já não cresce nada e vem depois do tempo maduro. Reforma é a saída, o abandono depois da pequice. Eu não vou nessa. Então tu, com esse ar de puto, com essas ganas de bébé chorão já queres ir embora? Ainda há pouco tempo te cresceu o bigode, ainda não aprendeste aquelas palavras aprumadas das pessoas de bem e já te queres safar? E depois quem nos conta histórias do, campismo com estrépitos nocturnos e humaníssimas manifestações? E aquela das ceroulas na revolução?
Aqui há grande patifaria!
Ainda há pouco armaste um estenderete monumental com aqueles palhaços pintados vivos pela mão dos alunos pouco mais pequenos dos que tu, e agora queres dizer adeus à festa?
Pintaste a manta com a canalha e agora queres ir pintar para outro lado?
Tu até podes ir porque estamos num país livre e democrático, mas não convences ninguém. E não venhas com tretas de arrumar as botas, calçar pantufas, reformar o pincel. Nada disso pega.
Essa do pincel é que é definitiva e verdadeiramente importante:nunca deves reformar o pincel. É preciso te-lo atento , arteiro! Molhá-lo bem nas tintas várias e soltá-lo na tela, danado e tonto como tu sabes. Se for para dar ao pincel a gente ainda pode condescender. Mas não digas que vais daqui.
Tu aqui , caro Alcino, nesta Escola de Monserrate . tens obrigações, vínculos , compromissos. Lembra-te que já foste Director. Verdade que não tinhas grande pinta de chefão, e a malta olhava-te intrigada, tanto mais que nessa altura pintavas, desarvoradamente, Alentejos tristes. (Ai se os gajos soubessem que tu andavas a dar ao pincel pelo Alentejo! ) . . . Lá s ia a directoria!
Deixemos a História do tempo velho porque tu entraste na dança com a grândola ao peito, em ritmo de bossa nova. De princípio ainda desafinavas com a partitura embrulhada, como estava. Desafinávamos todos. Depois foi um regalo ver-te nas tintas e ouvir-te nas prosas. Até deixaste em paz os burros do Alentejo parados na paisagem parda. Vieste para o Minho e caçaste a alegria dos gaiteiros nas dança das romarias. Tanto, tanto que entraste no cartaz da Senhora da Agonia. . Parece que entramos todos contigo naquele jeito desconcertante que tu sabes por nos momentos sisudos e solenes.
Já pintaste vilancetes de Camões, já temperaste gastronomias em congresso, já pintaste searas, gaiteiros e burros, qualquer dia pintas um discurso de estado. . .
Nah! . . . Tu vais armar alguma! Tens alguma vermelhinha ensaiada!
Essa do penante recente é indecente…Traz água no bico. . . não queres é que te ponham a careca ao leu! A tua retirada é estratégica.
Andas por aí a dizer que te reformaste e isso nem te fica bem. Um puto gaiato como tu não tem direito a essas reformas. Se te pões aí nos cantos, a ver passar os comboios ainda pregam alguma tapona e te metem outra vez na escola primária para aprenderes o traço certo do desenho, a ortografia, a rima e as coisas atinadas da instrução. Põe-te a pau com esses gajos da reforma do sistema educativo! !
E olha Alcino amigo, conta sempre e sempre com a malta absolutamente amiga, da Escola de Monserrate.

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