Mora comigo um poema atento
Muito tão atento que fica sempre desperto
Particularmente entre a distância e os silêncios.
É um poema que sempre me confunde, que não distingue o pão e as madrugadas, a música e os pássaros, o mar e as árvores.
É um poema transparente e aéreo.
É um poema nu e brando como as penas do afago tímido
É um poema que desabrocha pelas noites carregado de perfumes.
Depois, há sempre um susto
Que sempre faz adiar o poema para o dia que há-de vir.
terça-feira, 28 de abril de 2009
O MEU LIVRO
O Livro não faz a feira; faz a festa.
O livro é a relação da pessoa consigo e da gente com a História
O livro escreve-se com a vida: alegrias e mágoas, sabedorias e técnicas, imagens, batalhas e números tecem os fios da escrita para fazer o livro.
No livro, as palavras descansam na pureza original:
Não têm cor, nem voz, nem paisagem vegetal,
Nem sequer urbano ruído
O Livro nasce e fica, no silêncio da paz
Mas misteriosamente disponível para uma doce ressurreição
Ou para a turbulência duma explosão.
Então, o livro abre-se
E cada um tira do livro os traços necessários e as linhas convenientes
Para aprender as pessoas e as coisas…
E um mundo eterno reside na página da escrita
E a história do passado nasce terna, menina e turbulenta no tempo da leitura
E tudo deve acontecer na mais contida intimidade, ou na paisagem mais pura
Para que tudo se desprenda e se liberte num Outono sem tempo nem espaço
O livro é a plenitude das memórias na festa dos silêncios.
Quotidianamente….
O livro é a relação da pessoa consigo e da gente com a História
O livro escreve-se com a vida: alegrias e mágoas, sabedorias e técnicas, imagens, batalhas e números tecem os fios da escrita para fazer o livro.
No livro, as palavras descansam na pureza original:
Não têm cor, nem voz, nem paisagem vegetal,
Nem sequer urbano ruído
O Livro nasce e fica, no silêncio da paz
Mas misteriosamente disponível para uma doce ressurreição
Ou para a turbulência duma explosão.
Então, o livro abre-se
E cada um tira do livro os traços necessários e as linhas convenientes
Para aprender as pessoas e as coisas…
E um mundo eterno reside na página da escrita
E a história do passado nasce terna, menina e turbulenta no tempo da leitura
E tudo deve acontecer na mais contida intimidade, ou na paisagem mais pura
Para que tudo se desprenda e se liberte num Outono sem tempo nem espaço
O livro é a plenitude das memórias na festa dos silêncios.
Quotidianamente….
BOCAGE, ALMA SEM MUNDO
Faz hoje anos que tu te foste embora
Tu, não devias ter o direito de morrer.
Nem imaginas como farias falta no meio desta choldra
Que povoa a tua perversa capital
3/12
Tu, não devias ter o direito de morrer.
Nem imaginas como farias falta no meio desta choldra
Que povoa a tua perversa capital
3/12
AVALIAÇÕES
AVALIAÇÕES
Aprendo, todos os dias, que devo ser criança.
Aprendo que se aprende errando
Que crescer não significa fazer anos
Que o silêncio ou o riso são a melhor resposta para a asneira.
Aprendo que trabalhar não significa ganhar dinheiro e que dinheiro muito menos significa felicidade.
Aprendo que os sonhos andam por aí para serem alcançados por quem é mais corajoso e mais jovial.
Aprendo que conquistamos amigos quando nos mostramos como somos
E que somos verdadeiramente amigos quando conseguimos estar absolutamente nus perante o próximo.
Em seguida os amigos riem connosco, choram connosco, ficam juntos connosco até ao fim.
Também aprendo que pode haver maldade escondida em qualquer lado
E que a felicidade não existe se não for procurada.
Aprendo que quando julgo saber tudo é prova absoluta de que não sei nada.
Aprendo que é a natureza que deve comandar a vida
E que amar é uma entrega, um abandono, um esquecer de passados, um presente sem projectos.
É por isso que um só dia pode ser mais importante que muitos anos.
E, então, todos os dias há tempo para conversar com as estrelas e com a lua
Para olhar o sol apesar das nuvens.
Só este tempo dá para viajar até ao infinito onde sempre um sonho azul nos abre janelas doiradas sob um jardim imprevisto
Donde volto outra vez criança tão contente e inocente como quando era livre e justo como as flores.
Aprendo, todos os dias, que devo ser criança.
Aprendo que se aprende errando
Que crescer não significa fazer anos
Que o silêncio ou o riso são a melhor resposta para a asneira.
Aprendo que trabalhar não significa ganhar dinheiro e que dinheiro muito menos significa felicidade.
Aprendo que os sonhos andam por aí para serem alcançados por quem é mais corajoso e mais jovial.
Aprendo que conquistamos amigos quando nos mostramos como somos
E que somos verdadeiramente amigos quando conseguimos estar absolutamente nus perante o próximo.
Em seguida os amigos riem connosco, choram connosco, ficam juntos connosco até ao fim.
Também aprendo que pode haver maldade escondida em qualquer lado
E que a felicidade não existe se não for procurada.
Aprendo que quando julgo saber tudo é prova absoluta de que não sei nada.
Aprendo que é a natureza que deve comandar a vida
E que amar é uma entrega, um abandono, um esquecer de passados, um presente sem projectos.
É por isso que um só dia pode ser mais importante que muitos anos.
E, então, todos os dias há tempo para conversar com as estrelas e com a lua
Para olhar o sol apesar das nuvens.
Só este tempo dá para viajar até ao infinito onde sempre um sonho azul nos abre janelas doiradas sob um jardim imprevisto
Donde volto outra vez criança tão contente e inocente como quando era livre e justo como as flores.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
À MEMÒRIA DE FLORBELA ESPANCA

Dorme, dorme, alma sonhadora,
Irmã gémea da minha!
Tua alma, assim como a minha,
Rasgando as nuvens pairava
Por cima dos outros,
Mais belos, mais perfeitos, mais felizes.
Criatura estranha, espírito irrequieto,
Cheio de ansiedade,
Assim como eu criavas mundos novos,
Lindos como os teus sonhos,
E vivias neles, vivias sonhando como eu.
Dorme, dorme, alma sonhadora,
Irmã gémea da minha!
Já que em vida não tinhas descanso,
Se existe a paz na sepultura:
A paz seja contigo!
(Poema de autor desconhecido encontrado no espólio de Fernando Pessoa)
A IGNORÂCIA DOS DEUSES
Os Deuses
Tímidos
poisaram como borboletas
No canto da noite
Mas nem os Deuses
Sabem
Dos mistérios da música que faz a noite.
Tímidos
poisaram como borboletas
No canto da noite
Mas nem os Deuses
Sabem
Dos mistérios da música que faz a noite.
domingo, 26 de abril de 2009
QUEM DORME COMIGO
A poesia trata de mim, muito mais do que eu trato da poesia.
Eu nunca estou só.
A poesia também nunca está só.
Ambos moramos onde moram as palavras.
Aquelas palavras que têm cores
e formas
e sabores
Aquelas que, mesmo de noite, são mais coloridas que o arco-íris
São as nossas palavras quem desenha
As casas para onde vão morar os poemas
É por isso que olho as palavras com ternura menina.
Sobretudo, quando lhes sinto o afago às portas do sono.
Eu nunca estou só.
A poesia também nunca está só.
Ambos moramos onde moram as palavras.
Aquelas palavras que têm cores
e formas
e sabores
Aquelas que, mesmo de noite, são mais coloridas que o arco-íris
São as nossas palavras quem desenha
As casas para onde vão morar os poemas
É por isso que olho as palavras com ternura menina.
Sobretudo, quando lhes sinto o afago às portas do sono.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
